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Especial Dia do Geógrafo, entrevista com Douglas Leite.



Com o objetivo de homenagear o dia do Geógrafo (29), o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Dois Rios entrevistou Douglas Leite, geógrafo e professor em Geografia, atualmente cursando doutorado em Geografia (UFRJ). O Entrevistado atuou no Comitê durante os anos de 2020-2022.


1 - Conte-nos um pouco sobre você e sua formação. Por que decidiu cursar Geografia?

"Então, eu escolhi Geografia muito novo. Eu tinha 17 anos quando eu tive que escolher pra que graduação eu iria fazer vestibular na época. E dentro disso, eu sempre tive professores que foram referências pra mim na área de Geografia e eu também sempre me preocupei muito com questões relacionadas a meio ambiente e a desigualdade social, e ai eu vi o curso de Geografia como um curso que poderia contemplar as minhas curiosidades e os meus estudos. Mas eu confesso que quando somos novos, com 17 anos, nós não temos muita noção do que esperar na questão de mercado de trabalho e tudo mais. Mas eu felizmente, acredito que eu tenha dado sorte em ter escolhido Geografia e ter passado por tantas questões relacionadas à profissão."


2 - Em sua opinião, como os geógrafos podem contribuir no desenvolvimento ambiental de nossa região?

"O Geógrafo e a Geografia possuem a capacidade de compreender a relação entre o meio ambiente e a sociedade que está estabelecida neste meio ambiente, então nós temos o diferencial em relação as outras profissões, as outras ciências, de conseguir fazer essa integração de conhecimento, e propor também soluções pros problemas que estão ai, são os mais atuais, lidamos hoje em dia com problemas relacionados as mudanças climáticas, algumas áreas estão relacionadas a problemas relacionados a áreas de risco, e o Geógrafo ele tem a capacidade de analisar e a partir destas analises tentar compor soluções que sejam benéficas para a sociedade de uma forma geral. Além disso nós vivemos hoje, um momento muito interessante no ponto de vista ambiental, que é o momento da justiça ambiental, porque todas as transformações que estamos vendo do espaço e do meio ambiente são transformações que atingem um determinado grupo social, ele não atinge uma sociedade como um todo, atinge um grupo social específico que infelizmente é o grupo menos abastardo, é um grupo com mais vulnerabilidade social e hoje em dia também com maior vulnerabilidade ambiental, então a integração dos conhecimentos de meio ambiente e sociedade faz com que o geógrafo tenha uma importância muito grande pra buscar essa justiça ambiental que nós estamos enfrentando. Se nós formos ver hoje em dia em Nova Friburgo, que é uma cidade que o risco de movimento gravitacional de massa é uma realidade, a gente percebe que esse risco ele é diferente para determinadas classes sociais, nós vemos, infelizmente, classes sociais menos abastadas tendo mais problemas em relação ao risco natural. Então cabe a nós também abrir esse olho, cabe a nós falar sobre isso, deixar isso explícito na sociedade, para que vejamos uma solução que seja a equidade social e ambiental também."


3- O que você pode citar como "aprendizado" durante o período em você participou do Comitê Rio Dois Rios?

"Bom, o Comitê do Rio Dois Rios, os comitês de bacia hidrográfica, eles são realmente um grande instrumento de conhecimento e de aprendizado. Uma vez que é um ambiente deliberativo, é um ambiente em que nós conseguimos expor nossas opiniões, consegue criar resoluções que de alguma forma vão ao encontro as demandas relacionadas as Bacias Hidrográficas, e é um exemplo a nível nacional, de um política bem sucedida, de decisões descentralizadas relativas ao recorte espacial da Bacia Hidrográfica, mas que vai trazer também uma idéia de como que pode acontecer a parte das políticas públicas, das políticas decisórias dentro da sociedade e eu acredito que o Comitê de Bacia Hidrográfica de uma forma geral, e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Dois Rios, são exemplos de sucesso desse tipo de abordagem, deste tipo de tomada de decisão, então eu realmente tenho aprendido muito com essa conexão com o Comitê Rio Dois Rios. É um Comitê de uma Bacia, que em comparação com outras bacias, é uma bacia que tem pouco recurso financeiro, mas esse pouco recurso financeiro é substituído por uma grande capacidade de recursos humanos que nós temos, tanto no Comitê de Bacia, quanto também na AGEVAP, que faz a assessoria deste Comitê. Então, realmente é um aprendizado, uma satisfação ver esse Comitê funcionando, e também ver os diferentes atores que levam suas questões, suas sugestões, levam seus conhecimentos para o Comitê. Então é realmente um grande exemplo de atuação, é um grande exemplo de tomada de decisão descentralizada, é realmente um grande aprendizado de como fazer política no Brasil."


4- Qual é a importância do Geógrafo na sociedade como um todo?

"Em relação a importância do Geógrafo, ele é o profissional, o conhecedor dessa relação entre o meio ambiente e a sociedade, então, nós temos a oferecer a sociedade de uma forma geral, uma forma de ver o ambiente, ver o espaço geográfico, de uma forma bem integradora, e isso é fundamental do ponto de vista de planejamento, gestão territorial. É fundamental na gestão ambiental, na análise e na tentativa de obtenção, de compreensão sobre os fenômenos, os processos naturais que acontecem e como esses processos vão impactar na sociedade, e como a sociedade está impactando nesses processosfenômenos. Nós estamos vivendo uma época de grande incertezas ambientais, vindas com as mudanças climáticas, vindas com essas grandes catástrofes que nós estamos vivenciando, com a diminuição dos recursos naturais, a necessidade de uma transição energética, toda essa "era das incertezas” que nós estamos vivendo, os geógrafos possuem o papel de síntese dessas situações e um papel muito importante para propor soluções, soluções espaciais, políticas públicas de ordenamento territorial. Então assim, os geógrafos precisam estar também nas mesas de decisões políticas, nas mesas de decisões de planejamentos urbanos, ambientais, e realmente trazer essa noção da integração dos conhecimentos ambientais, para realmente buscar soluções que visem a equidade ambiental, equidade social, a justiça ambiental que nós precisamos enfrentar. Então eu acredito que dentre os profissionais existentes nestas áreas, o Geógrafo tem essa grande importância."


5- Qual a perspectiva de futuro você vê para o CBH-Rio Dois Rios?

"A perspectiva de futuro do Comitê de Bacia do Rio Dois Rios, é uma perspectiva que nós vemos que atualmente, pelo o que encontramos nas políticas existentes e nas pessoas envolvidas, é uma perspectiva muito boa, de um funcionamento que está acontecendo. Mas de uma forma geral, precisamos saber que o Comitê tem que ter a sua atuação sendo renovada, atualizada, tem que mostrar a importância dele para a sociedade, para a gestão das bacias hidrográficas, porque a política é um ato contínuo, ela é ativa. Então o Comitê precisa manter a atividade, e estamos vivendo um momento político em que as políticas ambientais estão sendo muito questionadas, estão sendo muito pressionadas, e nós vemos que os comitês de Bacia estão vinculados a essas políticas ambientais, então nós precisamos ter cuidado e também manter a pro atividade, o protagonismo pra mostrar realmente a nossa importância e mostrar realmente que independente da conjuntura política nacional, o Comitê vai passar, ele vai continuar, vai ser manter como um ambiente, um "parlamento das águas", e ele vai se manter atuante dentro da região Hidrográfica da Bacia do Rio Dois Rios, já atua bastante e tem tudo para atuar cada vez mais! Então, obviamente precisamos nos manter ativos e protagonistas, principalmente em um momento desafiador, politicamente falando, e saber que a conjuntura pode não ser favorável, mas temos um recurso humano muito bom, nós temos uma estrutura da lei 9433, que é uma estrutura que pode ter a suas questões, suas imperfeições, mas é uma estrutura que dá legitimidade ao Comitê, e nós precisamos manter esta legitimidade, precisamos nos manter em atuação."

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